sábado, 5 de dezembro de 2009

(71) QUANDO VOCÊ ACHA QUE ENCONTROU AS RESPOSTAS; A VIDA VEM E MUDA AS PERGUNTAS- Uma reflexão sobre o viver, a morte e o morrer.

Oi gente, voltei pra cá depois de um longo período num corre-corre sem parar. Atendendo a pedidos, postarei aqui algumas matérias minhas que sairam nos jornais. Começarei com a reflexão que comoveu Lorena e região. Boa leitura e reflexão para vocês!
Esta vida é contraditória e inefável!
Hoje completo mais uma primavera, um ano de desafios, vitórias e aprendizados que se passou; um ano a mais vivido e um ano a menos para se viver. É hora da reflexão...
Há exatamente dois anos atrás, eu estava em São Paulo fazendo a prova de seleção para o ingresso no curso de Mestrado da Escola de Enfermagem da USP, depois de deixar o filho de um médico amigo meu internado na UTI com meningite meningocócica. Por coincidência, ou seja lá o que for, fui dormir no apartamento dele e pude socorrê-lo a tempo, graças a Deus, e hoje desfrutamos da alegria de seu convívio!
Setembro também completo 23 anos do meu primeiro contato com a Enfermagem. Foi no extinto curso de atendente na Santa Casa, ministrado pela Irmã Graça que vi, pela primeira vez, alguém morrer perto de mim. Confesso que fiquei assustado.
Nos anos seguintes, já trabalhando como Técnico de Enfermagem e depois como profissional graduado, essa fase da vida passou a ser minha rotina, aliás, como a de todo profissional da saúde que trabalha em hospital, mesmo assim, sempre parece ser a primeira vez. Ao mesmo tempo em que convivi com a morte, pude participar de diversas vindas ao mundo. Ainda me lembro da primeira cesárea que instrumentei-eram gêmeos e para mim foi deveras emocionante, assim como o parto normal. Sempre achei que as crianças choravam ao nascer porque tinham medo de sair daquele mundo quentinho para entrar num mundo desconhecido, assim como o nosso temor da morte. Temos medo de deixar este grande útero, justamente por temermos o desconhecido...
Quando fiz minha especialização em UTI, minha monografia foi sobre o medo da morte em pacientes de Terapia Intensiva. Descobri como humana e profissionalmente somos despreparados para essa situação.
Elisabeth Kubler.-Ross, em seu livro “Sobre a morte e o morrer” mostra exatamente isso, o despreparo que todos nós temos ao vivenciar ou mesmo falar sobre a morte.
Tememos o "inevitável" que envolve a morte, a despeito das variações sobre as formas e as circunstâncias do morrer. Possivelmente esta última seja a causa da angústia (ou parte das angústias) do ser humano: o desejar perpetuar-se e ter a certeza de que não o conseguirá; e o que é pior, que não tem em mãos o domínio das ocorrências em que a pessoa deixará de compartilhar com os outros nesse mundo. É a fase mais democrática da vida, pois o berço diferencia as pessoas, mas o túmulo iguala todos nós.
Isso me remete a uma Escola de Sabedoria que também trabalhei: o Lar São Vicente de Paula no Bairro São Roque. Lá conheci a Elizinha (nome fictício), uma anciã que exibia uma lucidez de dar inveja a qualquer jovem. Nos seus 90 e poucos anos, adorava um bananinha (como ela mesmo me pedia) e nos contava diversas histórias e uma, particularmente, jamais esquecerei. Elizinha sempre falava que seu sonho era ser bailarina. Nos idos anos 30, no auge da sua formosura, morando em São Paulo, ela teve a oportunidade de ingressar na arte da dança. Seu pai era militar e jamais permitiria que ela assim o fizesse, pois, no Brasil daquela época, ser bailarina não era para as moças de boa família, não era de boa fama. Então seu pai escolheu para ela o destino das mulheres na época-um marido para se casar e ser um boa dona de casa. Teve quatro filhos e diversos netos e bisnetos que raramente a visitavam. Ela concluía essa história dizendo que até poderia falecer num asilo (como falecera mesmo), porém, se tivesse sido bailarina, certamente seria uma pessoa imensamente mais feliz...
Nesse dia, entendi perfeitamente a frase que diz: O SEGREDO DA VIDA NÃO ESTÁ NA SUA CHEGADA E NEM NA SUA PARTIDA E SIM NA SUA TRAVESSIA.
Aprendi com ela e outros mestres da vida que temos de fazer de cada momento o mais sublime de todos, pois a felicidade só existe se fizermos da vida uma sucessão de momentos felizes. Aprendi que podemos errar sim, que falhar é humano e faz parte da aprendizagem, pois tudo que fazemos nesta vida tem 50% de chance de dar certo e 50% de chance de dar errado e que não temos de nos cobrar muito por isso e sim perdoar a nós mesmos e aos outros e prosseguir. Aprendi que viver só vale a pena se, realmente, a fizermos valer a pena, que todas as pessoas iluminadas, embora algumas insistam em viver na escuridão, que o mundo é perfeito e, principalmente que, “A VIDA É CURTA DEMAIS PARA NÃO FAZER O QUE VOCÊ QUER”.

Este texto dedico à memória da minha tia Vicentina Fernandez que faleceu em meus braços no dia 19 de setembro, a minha mãe, dona Dita que a acompanhou durante todo o seu processo de tratamento e a minha avó, dona Laurinda que, aos 87 anos suportou, bravamente, mais esse revéz da vida.


Beijão no coração e até mais!..




4 comentários:

Eduardo Lima disse...

Graças a Deus vc voltou, já tinha lido essa matéria no guaypacaré, mas lendo novamente, me emcionei de novo,
Parabéns pela sensibilidade.

Mariangela Rocca disse...

Este texto nos mostra quão efêra é a vida, contudo, ainda vivemos como se nunca fossemos morrer e muitas vezes nossas atitudes nos deixam parados na escala da evolução de nosso espírito imortal. Sabemos que a leitura edifica quando esta nos leva a reflexão, parabéns meu querido amigo, suas matérias nos ajudam a pensar mais sobre o nosso dia a dia, e quando pensamos nele, vimos o quanto a vida é breve. Beijão e um lindo domingo, e que Deus nos dê sabedoria para mais uma semana de trabalho.

Maristela disse...

Muito legal este post, amigo! Parabéns!
Também tive a oportunidade de ler este texto que você publicou no jornal Guaypacaré. Um tema abordado que ainda mexe com muita gente.Pois, acredito que nunca estaremos preparados para enfrentar a morte. A vida é transitória demais. Por isso, devemos vivê-la intensamente sem desperdiçar um minuto se quer. Procurando fazer sempre o melhor e o bem sem olhar a quem. Somos eternos aprendizes.

A dor pode não ser sinônimo perfeito de amor, mas, é sem dúvida, um grande meio de atrair o amor.
Visite uma pessoa que se encontra doente. Contemple-se diante da sua fragilidade física...Perceba a sua carência espiritual. Sinta como é grande a sua força naquele quadro.
Incline-se e veja quanto você pode fazer para diminuir aquele sofrimento. Meça a força do milagre de sua bondade. Perceba quanto pode o seu sorriso.
Exercite a sua caridade.
O sofrimento é aquele recipiente pelo qual passa a ação purificadora de Deus em direção à nossa alma e que se destina à nossa perfeição espiritual.
Se não fosse o sofrimento, nós viveríamos mergulhados, permanentemente, no oceano das nossas ilusões. É ele que nos desperta para a realidade dos valores sobrenaturais e nos mostra a face do Cristo sofredor.
Após um sofrimento, moral ou físico, cada um de nós sai mais consciente, mais humano e mais cristão.

LIBERTE-SE DO MEDO...
Afaste de si o medo.
Você não está abandonado como se fosse uma folha solta espantada pelo vento.
Você tem um Pai que é o seu próprio criador. Ele o fez à sua imagem, imprimindo-lhe a sua Vida que é eterna, como a sua é eterna.
Desde o dia em que você começou a existir, está vinculado ao seu Criador, por ele assistido e guiado. Saiba que o amor de Deus por você é infinito e não permitirá que se desgarre, se perca, nem fique ao léu como se fosse abandonado.
Pense e repita sempre na intimidade da sua alma: Deus me envolve em cada instante com o manto da sua proteção!

Tenha um ótimo domingo e uma semana abençoada!
Grande abraço,
Maristela

ondina disse...

BOM DIA MAFU...
LENDO SEU ARTIGO NO JORNAL GUAYPACARÉ "O COZIDO DA VIZINHA É BEM MELHOR", FAÇO DAS SUAS PALAVRAS A MINHA...VC FOI MUITO FELIZ NO ARTIGO E MANDOU BEM NO Q SE REFERE A NÃO VALORIZARMOS NOSSA LORENA. PORQUE NÃO DAR AOS NOSSOS HONRAS, TEMOS Q ACABAR COM ESSA FALSA PROFECIA DE Q LORENA NADA FLUI, NADA VAI PRA FRENTE. E ENQUANTO PENSARMOS PEQUENO E COM A VISÃO APERTADA DE DERROTA, NÃO IREMOS A LUGAR NENHUM. VC COLOCOU BEM SOBRE NOSSOS ILUSTRES LORENSES Q SE DOARAM, DERRAMARAM LÁGRIMAS MISTURADAS COM SUOR, MUITAS VEZES SUFOCANDO MOMENTOS FAMILIARES PARA ALMEJAR UMA CIDADE MELHOR E Q NO FINAL NÃO TIVERAM SEUS NOMES DESTACADOS, NEM RECONHECIDOS. PARABENS! MAFU E SAIBA QUE LORENA É DO SENHOR! DEUS TEM PROJETOS PARA LORENA, Q ESTÃO ENGAVETADOS PORQUE NOS ACOVARDAMOS E NOS ESCONDEMOS NA NOSSA MESMICE! E Q SEGUINDO SEU EXEMPLO NÓS POSSAMOS OLHAR GRANDE PARA NOSSA LINDA LORENA...ESTOU COMPILANDO FOTOS DE LORENA HÁ TEMPOS E ESPERO EM BREVE ESTAR PODENDO REALIZAR UM PROJETO PARA HOMENAGEAR ESSA CIDADE QUE ACOLHEU MEU PAI Q VEIO DE TAUBATÉ E Q NUNCA MAIS SAIU DAQUI. SOU LORENENSE E TENHO MUITO ORGULHO DE LORENA. PARA QUEM NÃO SABE LORENA TEM UM CORONEL DA PM Q TEM UM ORGULHO ENORME DA CIDADE Q VEIO E A CADA TURMA Q SE INICIA EM PIRITUBA,SP ELE ENFILEIRA A TROPA E PERGUNTA, QUEM É DE LORENA? E ELE SE CONFRATERNIZA COM OS Q LEVANTAM A MÃO.PARA SE VIVER BEM NÃO PODEMOS NOS ESQUECER JAMAIS "DE QUEM SOMOS E DE ONDE VIEMOS". MUITO OBRIGADA PELO CARINHO Q VC TEM POR LORENA......ONDINA CAMILO