sábado, 11 de julho de 2009

(64) "173 ANOS DE NASCIMENTO DO MAIOR ÍCONE BRASILEIRO-CARLOS GOMES"

Hoje é o dia mundial da população, do Mestre de Banda e de aniversário, se fosse vivo, do nosso grande ícone Antonio Carlos Gomes e eu não poderia deixar de falar sobre ele no meu blog.
Em 11 de Julho de 1836 nasceu esse paulista de Campinas que causou no Brasil e no mundo afora com seu talento irreparável, tendo, na época, um funeral com honras de Chefe de Estado com muitas homenagens só comparada com a de michael Jackson nos dias atuais.
A vida de Antônio Carlos Gomes foi, sempre, marcada pela dor. Perdeu a mãe ainda criança e foi criado pelo pai e muitos irmãos com uma vida dura de muitas dificuldades. Seu pai formou uma banda com os filhos, onde Carlos Gomes iniciou seus passos artísticos. Desde cedo, revelou seus pendores musicais, incentivado pelo pai e depois por seu irmão, José Pedro de Sant'Anna Gomes, fiel companheiro das horas amargas.
É na banda do pai que ele vai fazer, em conjunto com seus irmãos, as primeiras apresentações em bailes em concertos. Nessa época, Antônio Carlos Gomes alternava o tempo entre o trabalho numa alfaiataria costurando calças e paletós, e o aperfeiçoamento dos seus estudos musicais.
Já aos quinze anos compôs valsas, quadrilhas e polcas, os ritmos da época.Aos dezoito, em 1854 compõe a primeira Missa, Missa de São Sebastião, dedicada ao pai e repleta de misticismo. Na execução cantou alguns solos. A emoção que lhe embargava a voz comoveu a todos os presentes, especialmente ao irmão mais velho, que lhe previa os triunfos.
Ao completar 23 anos, já apresentara vários concertos, com o pai. Moço ainda, lecionava piano e canto, dedicando-se, sempre, com afinco, ao estudo das óperas, demonstrando preferência por giusepe Verdi. Era conhecido também em São Paulo, onde realizava, freqüentemente, concertos, e onde compôs o Hino Acadêmico, ainda hoje cantado pela mocidade da Faculdade de direito. Aqui, recebeu os mais amplos estímulos e todos, sem discrepância, apontavam-lhe o rumo da Corte, em cujo conservatório poderia aperfeiçoar-se.
Recebeu do Imperador D. Pedro II a Imperial Ordem da Rosa, em setembro de 1861 após ser aplaudido sem cessar no Teatro da ópera Nacional com seu primeiro trabalho de fôlego intitulado A NOITE DO CASTELO.
Tornou-se querido e popular na corte do Rio de Janeiro e dois anos depois apresentou seu segundo trabalho; a Ópera JOANA DE FLANDRES.
Coroado de êxito na Congregação da Academia Imperial de Belas Artes, foi escolhido para ir para a Europa se aperfeiçoar.
Causou intriga na corte, pois D. Pedro queria que ele fosse para a Alemanha onde figurava o grande Wagner e a Imperatriz, Dona Tereza Criistina sugeriu a Itália.
Aos 27 anos, em 8 de novembro de 1863, o estudante partiu, a bordo do navio inglês Paraná, entre calorosos aplausos dos amigos e admiradores, que se comprimiam no cais. Levava consigo recomendações de Dom Pedro II para o Rei Fernando de Portugal, pedindo que apresentasse Carlos Gomes ao diretor do Conservatório de Milão, Lauro Rossi.
Lauro Rossi, encantado com o talento do jovem aluno, passou a protegê-lo e a recomendá-lo aos amigos. Em 1866, Carlos Gomes recebia o diploma de mestre e compositor e os maiores elogios de todos os críticos e professores.
A partir dessa data, passou a compor. Sua primeira peça musicada foi Se sa minga, em dialeto milanês, com libreto de Antonio Scalvini, estreada, em 1 de janeiro de 1867, no Teatro Fossetti.
Um ano depois, surgia Nella Luna, com libreto do mesmo autor, levada à cena no Teatro Carcano.
Carlos Gomes já gozava de merecido renome na cidade de Milão, grande centro artístico, mas continuava saudoso da pátria e procurava um argumento que o projetasse definitivamente.
Certa tarde, em 1867, passeando pela Praça do Duomo, ouviu um garoto apregoando: "Il Guarany! Il Guarany! Storia interessante dei selvaggi del Brasile!" Tratava-se de uma péssima tradução do romance de José de Alencar, mas aquilo interessou de súbito o maestro, que comprou o folheto e procurou logo Scalvini, que também se impressionou pela originalidade da história. E, assim, surgiu O Guarani, que apesar de não ser a sua maior nem a melhor obra, foi aquela que o imortalizou. A noite de estréia da nova ópera foi 19 de março de 1870.
Não há quem não conheça os maravilhosos acordes de sua estupenda abertura. A ópera ganhou logo enorme projeção, pois se tratava de música agradável, com sabor bem brasileiro, onde os índios tinham papel de primeiro plano. Foi representada em toda a Europa e na América do Norte.
O grande Verdi, já glorioso e consagrado, teria dito de Carlos Gomes, nessa noite memorável: "Questo giovane comincia dove finisco io!" ("Este jovem começa de onde eu termino!").
E, na noite de 2 de dezembro de 1870, aniversário do Imperador D. Pedro II, em grande gala, foi estreada a ópera no Teatro Lírico Provisório, no Rio de Janeiro. Os principais trechos foram cantados por amadores da Sociedade Filarmônica. O maestro viveu horas de intensa consagração e emoção.
Foram várias idas e vindas da europa. Compôs outras óperas memoráveis como Fosca, considerada por ele sua melhor obra, Lo Schiavo, apresentada em 27 de setembro de 1887 no Rio em homenagem a princesa Isabel, entre outras.
Em 16 de setembro de 1896, faleceu em belém do Pará, onde dirigiria o conservatório, após sofre muito com fortes dores. Seu corpo foi embalsamado, fotografado e, em seguida, exposto à visitação pública, cercado de flores e objetos como partituras e instrumentos, bem de acordo com a idealizada "morte bela" do Romantismo.
Descrevendo os cenários da morte, os jornais tratavam com solenidade o acontecimento, destacando o repouso, o sono intérmino, o triunfo silente do grande artista. Diziam os jornais, o maestro não Conservatório de Música. O cortejo varou a noite de Belém.
O carro funerário era conduzido pelo povo, numa insólita romaria colonial anunciada pelos acordes de O Guarani e iluminado pelas velas ou dispostos nas varandas das casas. De 18 a 20 de setembro de 1896, o corpo ficou exposto em câmara ardente nos salões do Conservatório de Música, que se transformou em santuário cívico e espaço para as representações do afeto coletivo pelo compositor, como registram as imagens de época.
A pedido do presidente do Estado de São Paulo, Campos Sales, o corpo do compositor foi trazido de Belém para São Paulo, com honras e transporte militares, a bordo do vapor Itaipu. Ao final das cerimônias litúrgicas e ao deixar o porto de Belém rumo a Santos, o Itaipu não transportava apenas os restos de Carlos Gomes. Também conduzia o corpo de um mito que alimentara a imaginação de um Brasil singular até mesmo em suas representações.
Os restos mortais de Carlos Gomes se encontram hoje no magnífico monumento-túmulo, em Campinas, sua terra natal, na Praça Antônio Pompeu. A duas quadras dali está o Museu Carlos Gomes, que reúne objetos e partituras do compositor.
Acredito que temos de valorizar o que é nosso, quando li a respeito da vida desse ícone, fiquei fã dele de carteirinha. As mídias veiculam muito pouco e como já falei em outro post, temos de valorizar mais o que é nosso.
Quem sabe a TV produza uma mini série sobre ele para que todos nós o conheçamos e, como ele fez levando nossa brasilidade mundo afora, comecemos a valorizar mais o que é nosso.
Beijão no coração e ...

TCHAU PARDAL! FUI!...

FONTES:

ACADEMIA DE AMADORES DE MÚSICA, Lisboa; Homenagem a memoria de Carlos Gomes.; Lisboa: Editora Cia Nacional, 1897

7 comentários:

Luíz Henrique disse...

Que show, nunca imaginei que Carlos Gomes fosse tudo isso.
Obrigado por nos trazer um pouco de cultura vereador.

Pedro Moreno disse...

Mafu, está muito bacana essa postagem, realmente para a época Carlos Gomes se destacou muito, tanto aqui como na europa, já conhecia algumas óperas qu ele tinha composto com o guarany, mas de fato, lendo sobre o velório dele e tudo mais, só posso dizer que foi uma comoção geral e achei bem parecido a história dele com a De Michael Jackson, como o pai formando a banda com os irmãos e o velório, só que o pai dele foi paisão pelo jeito, diferente do pai do Michael Jackson que é um ser repugnável.
Parabéns pela postagem.

Anônimo disse...

Percebi e sei que foi proposital a escrita 3 vezes no mesmo parágrafo; "Temos de valorizar o que é nosso".
E para quem escreve bem como você, sei que essa insistência tem razão de ser.
Parabéns!

Maristela disse...

Muito legal e interessante este post! Parabéns!!!
Cultura nunca é demais!

Gratidão não é aquilo que fica escrito somente sobre um mármore.
É o que fica na memória do homem
quando se olha as mãos.

"O maior espetáculo
é um homem esforçado lutando
contra a adversidade;
mas há outro ainda maior:
ver outro homem lançar-se
em sua ajuda."

Tenha um ótimo domingo e uma semana abençoada!

Fique com Deus!!!

Grande abraço,
Maristela

Tereza Batista !Aquela cansada de guerra) disse...

Coitado, sorte dele que ele nasceu e viveu dois séculos atrás, pq se fosse hoje só ia arrumar uns trocados nas esquinas, porque o nosso país não dá oportunidade para ninguém.
Se tivesse nascido em Lorena então, o maximo que seria era mestre das fanfarras e olha lá.

Anônimo disse...

Mafu, parabéns quando vc copia mesmo assim vc põe o seu diferencial, aliás, vc citou todas as fontes no rodapé. Gostei muito.

Anônimo disse...

Mto melhor ler o que vc escreve, mesmo que seja cópia, do que ler as bobeiras que essa tal cidinha escreve...