quarta-feira, 24 de abril de 2013

(134) Histórias de Saúde Pública - Parto Surpresa em Domicílio

Essa é uma daquelas histórias que a gente acha que só vê na TV, mas aconteceu comigo ontem, 23 de abril. Estava trabalhando na Unidade de Saúde do Bairro da Cruz, vacinando contra a gripe e fazendo os trabalhos de todo dia quando, desesperadamente, uma adolescente entra gritando pedindo para socorrer sua tia que estava sangrando muito em casa, perto do posto.
Peguei luvas e materiais para curativo e desci o morro até a residência, me apontaram um pequeno banheiro e, para minha surpresa, lá estava a mulher, de cócoras sobre o vaso sanitário dando a luz. Eu e outra senhora que já estava dentro do pequeno banheiro pegamos uma toalha de banho e acabamos de fazer o parto, pincei o cordão umbilical, cortei, e passei a pequenina para a técnica de enfermagem que virou berçarista no improviso.
Levei a mulher, de 41 anos até seu quarto para que ficasse mais confortável esperando a dequitação (saída da placenta) quando chegou o SAMU que conduziu mãe e filha para a maternidade da Santa Casa.
Graças a Deus tudo ocorreu de uma forma normal, após o fato fiquei me questionando?
 
Gravidez de 41 anos, ainda mais sem pré natal é gravidez de risco; e se a mãe tivesse pressão alta e fizesse quadro de eclampsia, com convulsões e etc dentro do minúsculo banheiro? E se a criança estivesse em posição pélvica ou com circular de cordão, naquela posição, praticamente dentro do vaso sanitário? E se... tantas coisas poderiam acontecer...
O mais surpreendente de tudo isto foi que logo depois fui questionar a família que, para uma maior surpresa minha inda, estavam tão perplexos quanto eu, pois não sabiam de nada, assim como a mãe dizia ignorar a gravidez! Como assim!
Volto minhas reflexões para nós, seres humanos. Que tempos são esses que vivemos? como podemos morar com alguém e não perceber uma mudança tão óbvia que acontece em uma gestação? Até quando vamos olhar e não vermos, verdadeiramente, as pessoas? Até quando vamos ouvir e não escutarmos o nosso semelhante?
Não vou questionar nenhum serviço de saúde, nem me cabe esse questionamento, mas segundo os familiares, no dia anterior ela urinou muito e foi para outro serviço de saúde dizendo que estava com infecção urinária, provavelmente era a bolsa das águas que havia rompido? Enfim, tantas evidências que a pequena estava vindo ao mundo?
 Estamos trabalhando para implantar a rede cegonha, as questões de humanização no atendimento, as consultas de enfermagem que tantas diferenças fazem para os usuários, enfim...
Agradeço a Deus pelo desfecho que o caso teve e peço a Deus que abençoe esse pequeno anjo que já veio ao mundo com seu direito de nascer dignamente negado e, principalmente, por hoje não estar vivendo a continuidade de uma história trágica, pois poderiam ser dois caixões no velório e não duas vidas saindo da maternidade!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

(133) 1835 - Educação é tudo!


“Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância”.

Derek Bok

Em 1835 foi instalada a Assembléia Legislativa Provincial de São Paulo e já na primeira legislatura foi composta a Comissão de Instrução, Educação e catequese dos índios. Nesse mesmo ano, a Câmara Municipal de Lorena enviou um pedido para Assembléia Provincial solicitando a criação de uma Escola de Primeiras Letras com o método lancasteriano.
Ainda em 1822 a Lei n.143, de 25 de novembro, mandou instalar no Arsenal da Guerra, para os operários militares, uma escola de primeiras letras. Pouco depois, aproximadamente 4 meses, em 1º de março de 1823, foi criada uma escola de primeiras letras pelo método do Ensino Mútuo (Lancasteriano) para instruir as corporações militares e, a partir daí, para todas as capitais de províncias, vilas e lugares populosos.
Esse método, conhecido como Método do Ensino Mútuo Inglês, foi o escolhido no Brasil - Império, pois a Monarquia e suas elites tinham consciência da existência “perigosa” das massas populares que foi se constituindo entre aqueles que foram ficando à margem da produção colonial, centralizada nos senhores e nos escravos. Estes contingentes cresceram muito, desestabilizando o sistema. Essa população foi denominada de “massa deslocada, indefinida, mal enquadrada na ordem social, e na realidade produto e vítima dela mesmo”.
Para que essa população pobre, sem patrão, que não tinha riqueza alguma, e nem detinha poder, deixasse de representar uma ameaça, aliada a um Estado Nacional recém criado e pré-anárquico, criaram-se, nesse contexto, estratégias que valorizavam o trabalho, a honra, a virtude, a decência, a limpeza e o bem-estar, em oposição aos elementos que configuravam a “barbárie”, como a indolência, o ócio, a pobreza, a doença e a devassidão, comuns na sociedade imperial. Optaram também por simplificar a religião e a instrução, com a intenção de influenciar nos comportamentos. O meio de converter as classes subalternas ao trabalho disciplinado devia se dar com a educação primária. Primeiramente, o método lancasteriano, foi implantado em 1827 dentro das corporações militares. Os problemas disciplinares e as violações eram muito freqüentes entre os soldados que vinham das camadas mais pobres da sociedade. A primeira instância a ser disciplinada advinha justamente do setor que deveria, no entender das classes dominantes, disciplinar, ou seja, as forças militares. A função dos soldados era evitar agitações, assegurar que as autoridades constituídas fossem respeitadas e vigiar a população livre e pobre. Como membros das forças militares, os homens “sem eira e nem beira”, pobres e livres, eram submetidos a uma disciplina militar, que, primeiramente os disciplinava, transformando-os em bons soldados, obedientes às normas e à hierarquia. Devido a essas questões, os soldados se tornaram os primeiros mestres lancasterianos e esse método disseminou pela província paulista nas escolas de primeiras letras. Lorena e outros vilarejos do vale tiveram suas primeiras escolas com o método de Lancaster.
Em 1846 é criado o Seminário de Educandas da Capital da Província de São Paulo para habilitar as moças que ocupariam as cadeiras da instrução de primeiras letras. Foi um grande passo para a formação da carreira do magistério na província e demonstrava a preocupação com a ampliação do ensino para ocupar a mente e “afastar os vícios”. Foi acrescentado aulas de língua francesa, noções de geografia, desenho e música. Estabeleceu o ordenado das professoras de primeiras letras e algumas vantagens para as professoras casadas.
A regulamentação da instrução primária deu-se nesse mesmo ano e discorria, em 42 artigos, entre outros dados que: o ensino compreendia a leitura, escrita, a teoria e prática da aritmética, proporção, geometria e sua aplicação, ensino da gramática da língua nacional e da doutrina da religião do estado. Faz diferenciação entre o ensino feminino e masculino e também estabelece que todas as cidades e vilas da província deverão ter uma escola de primeiras letras. Diferencia os anos de estudo e estabelece as matérias a serem aprendidas em cada uma delas, também regulamenta a habilitação dos professores e autoriza as Câmaras Municipais a permitirem a criação de escolas particulares nos municípios. Também regulamenta a contratação, direitos e deveres do professor, avaliação no final de cada ano dos alunos, etc.
Em 1858 foi criada a cadeira de primeiras letras para o sexo masculino na freguesia da capela de Cachoeira, Silveiras e amplia o ensino em Lorena, Pindamonhangaba, Guaratinguetá e Santo Antonio do Pinhal.
O Colégio São Joaquim de Lorena realizou suas primeiras matrículas no dia 03 de março de 1890, constituindo um importante centro de ensino particular regional.
É inquestionável a importância da cidade de Lorena com suas 3 Universidades, sendo um complexo de Engenharia da USP com grande investimento público para os próximos anos. Com 39 Escolas Municipais de ensino fundamental, 176 anos após o pedido da criação do Ensino das Primeiras Letras na cidade sob um método definido (Lancasteriano) fica a discussão aos nossos educadores, políticos e sociedade em geral: Será que nossos alunos da escola pública conseguirão entrar nas nossas faculdades? O ensino que temos está preparando nossos alunos para o perfil que a região demandará em poucos anos? Estamos efetivamente planejando a educação das nossas crianças ou apenas cumprindo exigências burocráticas?
Devido a essas e outras questões, apresentarei na Câmara Municipal um requerimento solicitando a ampla discussão da nossa Educação Municipal, um fórum com os nossos educadores, políticos e sociedade em geral, pois como dizia Paulo Freire: “A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tão pouco a sociedade muda”, ou como na propaganda da TV com a Fernanda Montenegro saindo de um fundo azul; Educação é tudo!

Bibliografia:
Caderno de Sessão 03/04/1835. Sessões da Assembléia. Império. São Paulo.
NEVES, Fátima Maria. O Método Lancasteriano e o Projeto de Formação disciplinar do povo (São Paulo, 1808-1889). 2003, 293f. Tese (Doutorado em História) – UNESP, Assis, 2003.

domingo, 12 de agosto de 2012

Sobre as misérias e as potencialidades humanas



O que somos é conseqüência do que pensamos


(Sidharta Gautama)

Ainda prefiro acreditar nas potencialidades humanas em detrimento das nossas misérias, mesmo que no noticiário do horário nobre ouça vinte notícias ruins para nenhuma, digamos, razoável.


O bombardeio diário do pessimismo das pessoas, da crueldade de pessoas para pessoas e animais, as mazelas sociais, as chagas cada vez mais expostas dos hospitais (quando estes existem), o descaso com o meio ambiente, todas as formas de rupturas, as palavras de desestímulo e de desvalorização do outro e todas as formas de sordidez, mesmo com tudo isto, ainda prefiro ver as potencialidades de cada um de nós.


As pessoas são fantásticas e incríveis, pena que a maioria ainda não saiba disso. Quando vejo as tecnologias, principalmente as que melhoram a produtividade no campo para a produção de alimentos, o computador à minha frente me conectando ao mundo, os avanços científicos descobrindo a cura para as doenças, as diversas militâncias pacíficas e democráticas para o bem comum coletivo e, mesmo que esporadicamente, as pessoas felizes em torno de uma mesa farta, numa lanchonete ou mesmo na porta das casas, conversando sobre coisas boas: nesse momento tenho a certeza, as potencialidades se sobrepõem as misérias.


Todos nós temos nosso lado luz e nosso lado sombra, o segredo é aumentar o nosso holofote iluminado sobre as nossas trevas para sermos melhores. Isso precisava ser ensinado nas escolas, afinal, o ser humano não vem com manual de instruções.


A despeito do capitalismo selvagem que transforma as pessoas em verdadeiros gladiadores na arena da vida, ainda prefiro acreditar que temos uma grande fonte de abundância jorrando bênçãos sobre nós a cada dia, ninguém precisa querer o que é de outrem, é só solicitar, trabalhar, acreditar e ser feliz durante a jornada – A jornada é maravilhosa.


E bem lá no final de cada jornada, sentir a vibração e a grande emoção de pertencer ao mundo que foi prometido para nós – o mundo mais fantástico e fascinante que existe no lugar mais especial e rico de todo o universo e que se torna um ponto de luz para iluminar as trevas alheias – o divino mundo humano de cada um de nós, um lugar que ainda tem muito a ser explorado e compartilhado. Pense nisto!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

(131) O DIREITO DE SER MÃE



Há um mistério insondável nesse encontro de olhares. Mãe e filho. Amamentação. Ato de suprema entrega. Momento de divina doação, entrelaçando doces e infindos desejos, sem identificação de um único. Harmonia plena... ternura...ardor. Inconsciente integração do inexplicável, que se traduz na similaridade do Divino Amor.
(Alice Capel)
Estava pensando no que escreveria neste dia tão lindo, dia das mães. Sabia que não conseguiria superar meu artigo desta mesma data do ano passado (amor igual ao seu eu nunca mais terei), foi quando em um bate papo alguém me perguntou: “ Mafu, fazendo um balanço do seu mandato, qual foi sua maior frustração?”

Imediatamente minha cabeça voltou em 2009; fiz um projeto de lei que eu achava maravilhoso, afinal, pesquisei por mais de uma semana tudo que se referia ao assunto, fiz uma justificativa de três folhas, colocando tudo e mais um pouco, só faltei desenhar no papel e tudo. O projeto que me refiro autorizava o executivo a conceder licença de seis meses às gestantes funcionárias da prefeitura municipal, concursadas, terceirizadas ou de confiança, inclusive as que viessem a adotar.

Os vereadores elogiaram, discursaram e eu, marinheiro de primeira viagem, me senti o máximo...

Na minha cabeça só passava a imagem das minhas colegas da enfermagem e outras funcionárias que trabalhavam comigo. Lembrava dos maridos levando os bebês para as mães trabalhadoras amamentarem no pronto-socorro, naquele local, totalmente inadequado para um serzinho com o sistema imunológico ainda em formação. Fui coordenar o PSF justamente para cobrir a licença a gestante da Enfermeira Fabiana. Como que uma mãe enfermeira que sabe da necessidade da amamentação, por pelo menos seis meses, e tem de retornar ao serviço no quarto mês de vida do seu filho poderia trabalhar tranquila? Acompanhei toda a ansiedade que este fato gerou a ela na ocasião e, posso garantir, não foi pouca. E quantas mais terão de passar por isto?

O estudo de impacto financeiro na época provava a viabilidade do projeto. Na justificativa, demonstrei, através de pesquisas de revistas científicas, todas as vantagens da amamentação por pelo menos seis meses. O ato de amamentar firma o elo entre mãe e filho, nos primeiros seis meses a criança ainda não tem imunidade contra as doenças, sendo passado pelo leite materno e, entre outras razões, pesquisas apontam que crianças amamentadas no seio materno são mais sociáveis, menos delinqüentes e a probabilidade de depressão e suicídio são bem menores comparada com as quais não são amamentadas e etc.

Para minha frustração, os inúmeros motivos não foram suficientes para convencer o executivo da época que vetou o projeto. Mesmo assim, acreditei que ele enviaria o projeto direto do seu gabinete, o que também nunca aconteceu.

Já protocolei uma moção de apelo pedindo para que o Prefeito Dr Marcelo Bustamante mande este projeto para a câmara municipal, pois mais importante do que vir do legislativo ou do executivo é o direito das mães de serem mães e, a amamentação por pelo menos seis meses é um direito dos filhos das nossas mães trabalhadoras. Espero que ele atenda este apelo e leve o bônus de ser o primeiro prefeito da região metropolitana do Vale do Paraíba a conceder esse direito às funcionárias públicas e que seja seguido pelo bom senso dos outros prefeitos da região.

A todas as Mães Maravilhosas, que Deus as abençoe sempre mais. Feliz dia das mães.

domingo, 13 de maio de 2012

(130) “A insustentável leveza do ser”



"Sentiu um peso, mas não era o peso do fardo e sim da insustentável leveza do ser"



(Milan Kundera)

"Nunca se poderá determinar com certeza em que medida nosso relacionamento com o outro é o resultado de nossos sentimentos, de nosso amor, de nosso não-amor, de nossa complacência, ou de nosso ódio, e em que medida ele é determinado de saída pelas relações de força entre os indivíduos. A verdadeira bondade do homem só pode se manifestar com toda a pureza, com toda a liberdade, em relação àqueles que não representam nenhuma força. O verdadeiro teste moral da humanidade (o mais radical, num nível tão profundo que escapa a nosso olhar) são as relações com aqueles que estão à nossa mercê: os animais. É aí que se produz o maior desvio do homem, derrota fundamental da qual decorrem todas as outras."

Esta frase do livro e filme “A insustentável leveza do ser” nos leva a pensar como que fatores políticos podem mudar, para sempre, a vida das pessoas. Quando em 1968, tanques soviéticos invadem a antiga Tchecoslováquia e iniciam a opressão conhecida como "A Primavera de Praga", a vida dos protagonistas mudou para sempre e todos os sonhos foram destruídos.

A instabilidade política no Brasil, durante quase todo o século XX se assemelha a este drama, não pode existir felicidade sem liberdade, sem amor, sem empatia e sem bondade. E é no tratar os mais simples e necessitados e também os animais que conhecemos o verdadeiro caráter das pessoas.

Precisamos olhar e enxergar ao nosso redor, as atitudes é que contam; precisamos de leveza, mesmo num cenário político, para podermos entender as necessidades da sociedade e irmos ao encontro delas; mesmo numa disputa eleitoral visceral, o ódio entre as partes não pode ser maior que os interesses comuns do todo, e o todo, nesse caso, é o povo.

A gestão da coisa pública nada mais é que um relacionamento, onde elegemos quem confiamos para cuidar, zelar e aprimorar o que é de todos e, como em todo relacionamento que frutifica, a base tem de ser o amor e o compartilhamento, sem ódio e sem egoísmo. Os gestores têm de amar sua gente e se desdobrar para proporcionar o melhor para ela.

Este é o princípio fundamental na política e uma cidade que quer ir adiante precisa encontrar essas características em seus representantes.

A leveza que transforma o ser:

1º- Fundo de solidariedade de Lorena: Agradeço a administração municipal por ter atendido a minha moção de apelo pedindo a volta do fundo no ano passado. Sob a presidência da nossa amiga Rosane Costa, o fundo social está conseguindo atender as diversas entidades da cidade e desenvolvendo os projetos como a praça do idoso, a padaria artesanal e conseguiu arrecadar seis toneladas de agasalho para aquecer os corações dos mais necessitados neste inverno.

2º- Provim e Cemari: Trabalhos ímpares e maravilhosos, liderados pelo Padre Trajano e Irmã Tavares, respectivamente. Desenvolvem atividades fantásticas e encaminham para o bem centenas de crianças e adolescentes de Lorena. Padre Trajano e Irmã Tavares, nossos agradecimentos e parabéns! Vocês são exemplos de pessoas leves e altruístas, tão necessários nas nossas comunidades mais carentes. Deus os proteja e multiplique a ação dos seus trabalhos.

3º- Fabrício Stevens Finotti Dias, o Lorena da superliga de vôlei: Jovem lorenense que é exemplo de garra e determinação, maior pontuador de toda a história da superliga de Vôlei. Que seu exemplo seja seguido pelos pequenos lorenses. Exemplo de amor pela cidade, que mesmo estando longe, leva o nome de Lorena nas Costas!

(129) LORENA CIDADE MARAVILHOSA


“Algumas coisas são verdadeiras, acreditando nelas ou não”.

(Do filme-Cidade dos Anjos)

Lorena sempre foi um ponto estratégico no eixo mais importante do nosso país. No Brasil Colônia, o porto de Guaypacaré era um ponto de apoio as Bandeiras que desbravavam os grotões da boca do Embaú para as entradas nas Minas Gerais. No Brasil Império foi importante na Revolução liberal dominada por Duque de Caxias, quando passou a pertencer à província do Rio de Janeiro; por uma ano na história, Lorena deixou de ser paulista para ser fluminense. Em 1816 a Vila de Lorena começou a ser desmembrada para dar origem a diversos municípios, impulsionando as fazendas de café no Vale do Paraíba e, das imensidões de terras das Palmeiras Imperiais, emergiram cidades como Areias, Silveiras, Bananal, São José do Barreiro, Queluz e Lavrinhas que surgiam às margens do Caminho Novo, estrada percorrida pelas tropas que levavam o café até o porto de Mambucaba e que ligava os Estados de São Paulo com o Rio de Janeiro (hoje é a rodovia dos tropeiros). Em 1871, novamente, a grandeza da cidade sofre mais um desmembramento, desta vez surge a cidade de Cruzeiro; Cachoeira Paulista em 1881, Piquete em 1891 e, um século depois, Canas emancipou em 1992. Com isto podemos dizer que Lorena é a cidade mãe das cidades do Vale Histórico. Sua estratégica posição geográfica também foi importante na Revolução Constitucionalista do início dos anos 30 e hoje é elo importante entre os três maiores estados da nação.

Certamente, a maior riqueza da cidade de Lorena não é a sua posição geográfica, sua água excelente e farta no subsolo. A maior riqueza da cidade de Lorena é o seu povo: Lorenenses de nascimento ou de coração que escolheram esta cidade para viver.

Percebo a cidade (e é a vocação de Lorena) como uma grande mãe e a população como seus muitos filhos. Em uma grande família, com muitos filhos, os pais logo percebem que um nunca é igual ao outro, assim, tem os mais rebeldes e os mais disciplinados, porém, o mais importante é que os pais demonstrem carinho e amor iguais para todos os filhos. Seguindo este pensamento, podemos dizer que os filhos de Lorena sofreram com a ausência materna e, quando a mãe não está presente, seus filhos se revoltam, entristecem e a baixa auto-estima logo aparece. Os filhos precisam se orgulhar dos seus pais.

Mesmo diante de um processo de ruptura afetiva, os filhos acabam encontrando mecanismos para defender o ego sofrido e, neste caso, os filhos de Lorena são show de bola.Embora sofrendo e sem carícias, quando chamados a luta logo mostram a sua força, é só a mãe conclamar.

Assim, parabenizo os filhos maravilhosos de Lorena e o trabalho da mãe (administração pública) por trabalharem juntos e evitar muitas mortes e muitos doentes neste ano. Abandonados pela sua mãe no ano passado, aproximadamente dezoito mil (extra oficialmente) dos seus filhos adoeceram e sofreram de uma doença até sugestiva quando há falta de carinho, ficaram dengosos e sofreram demais. Este ano a mãe começou a trabalhar junto, orientar e chamar a atenção de seus filhos e apenas oito (sendo que quatro adquiriram a doença em outra cidade) adoeceram. Belíssimo trabalho!

A mãe Lorena também tem muitos filhos contestadores, brigões quando a causa é justa, que vão para cima sem medo e botam a boca no trombone. Assim, esses filhos fabulosos gritaram tanto que foram ouvidos. De tanto espernear foi suspensa a licença prévia para a construção da usina termelétrica na sua cidade filha caçula, que tantas doenças traria para todos. Mesmo que temporariamente, desta vez, a mãe que ainda nem tinha entrado na briga, ficou orgulhosa de ter filhos tão especiais e inteligentes (Conselho Municipal de Meio Ambientes e voluntários).

Desta forma fica provado que, assim como na família, onde os pais tem de orientar, mostrar o caminho e dar amor para seus filhos; na administração pública também é assim. É só dar espaço, permissão, orientação e auxílio que os filhos mostram o quanto são espetaculares.

E é por isso que eu digo que Lorena é uma Cidade Maravilhosa, porque uma cidade que tem um povo como o nosso, não pode ter outro adjetivo.

E para a Cidade ser ainda mais Maravilhosa, precisamos de pais orientados para isso... Pensem nisso!

Registrando: 1-Santa Casa- Exemplo de administração maravilhosa de filhos empresários que se doam e fazem o que fazem por amor a Mãe Lorena. Já virou referência no Brasil com visitantes e até presença do Governador do Estado.

2- Esporte-Equipe de GR /Equipe Cabral bike shop – São equipes campeãs e referências na cidade. A equipe de GR, brilhantemente comandada pela Prof. Márcia Cilene é um verdadeiro show, com total apoio da prefeitura e campeoníssima na região e destaque no Estado. A equipe de ciclismo do Cabral bike shop, sob o comando de Marcus Cabral é patrocinada por marcas e pessoas, sem vínculo com a prefeitura, porém, como está escrito no blog da equipe. Time vencedor, apaixonado pelo que faz, sempre conquistando um lugar no pódium!

3-Bandas e fanfarras- Tendo a Fagap como referência, é um projeto campeoníssimo no Estado e no País, o que demonstra o que falei no texto. Quando a mãe apóia, os filhos mostram do que são capazes. Nas próximas edições falarei de outras maravilhas da cidade.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

(128) Avanços e paradoxos no processo de amadurecimento democrático


Artigo publicado na coluna do Vereador Mafu no jornal guaypacaré (edição 14 de abril de 2012)
"O caminho dos paradoxos é o caminho da verdade".
Oscar Wilde

Todos nós sabemos as dificuldades que permeiam as administrações públicas das cidades na atualidade brasileira. A gestão da coisa pública está cada dia mais complexa, os gastos estão com percentuais mais definidos e pontuados pelos agentes de controle como os tribunais de contas, conselhos, legislativo e o cidadão comum que hoje, acessando um botão na internet, consegue visualizar as contas da cidade nos portais, ou seja, a política exige, a cada novo mandato, mais competência e profissionalismo dos políticos, sob a pena de serem excluídos da vida pública.

Se por um lado as exigências e fiscalizações aumentaram, seria de se imaginar que a consciência popular acerca das questões eleitorais e partidárias também tivesse amadurecido.

Em agosto de 2008 a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) encomendou uma pesquisa ao Vox Populi com resultados preocupantes para a democracia. Dos 1502 eleitores de todo o país, 94% sabiam que a obrigação do vereador é fazer leis e fiscalizar o executivo e levavam em conta as propostas de campanha, porém, 77% diziam considerar importante ou muito importante os benefícios pessoais que ele ou seus familiares poderiam obter com a eleição do candidato. 82% achavam que o agente político deveria pagar as despesas médicas e de funeral das pessoas mais carentes, sendo que destes, 42% apontavam esta questão como obrigação dos vereadores e 40% defendiam tal atitude, mesmo entendendo não ser obrigação do político. A pesquisa ainda apontava que mais de 80% dos entrevistados discorriam que seria obrigação do vereador resolver problemas seus com os órgãos públicos; 42% relatavam que o vereador teria de conseguir emprego para seu eleitor e 29% achavam que o vereador teria de providenciar dinheiro para os mais necessitados; esses são apenas alguns dados preocupantes e para prefeito a pesquisa teve resultados semelhantes.

Se por um lado as regras para os políticos enrijeceram e, comemoramos a lei da ficha limpa como iniciativa popular, por outro lado percebemos uma esmagadora maioria, com percepção aquém e entendendo a política como assistencialista e de favorecimento pessoal.

Esse fenômeno atual, para alguns cientistas políticos e estudiosos do assunto, tem sua raiz na nossa frágil sustentabilidade democrática: Somos o único país das Américas que tivemos uma monarquia (semi absolutista) e uma República instável com golpes seqüenciais, com quase 2 dezenas de dissoluções e fechamento de casas legislativas, desarmonizando os 3 poderes, sendo esses anos pós redemocratização o mais estável da nossa história (1985-2012).

Sob esta ótica, aliada a um país de dimensões continentais e com uma população bastante heterogenia regionalmente em educação, cultura, economia, geografia, com diferenças de classes econômicas gritantes e com entendimentos políticos divergentes e congruentes ao mesmo tempo, parece até um milagre conseguirmos estabilidade e crescimento (ainda que tímido) dentro do que mais parecer ser um grande paradoxo.

Resta apenas trabalhar e esperar que a nossa sociedade, nossas leis e nossos próximos gestores consigam entrar no passo deste compasso confuso e entendível do nosso processo de amadurecimento de uma nação democrática, onde a competência e profissionalismo se sobreponham ao clientelismo e que todas as pessoas se conscientizem da importância e valor impagável do seu voto!