sábado, 28 de janeiro de 2012

(125) Travestis, dengue e segurança pública...Os trabalhos continuam!

Acho que este foi o recesso que mais trabalhei e, ainda bem que está sendo assim;
No dia  29 de dezembro fizemos as fotografias para a campanha da dengue, perdemos todas as fotos, pois entrou vírus no cartão de memória da câmera fotgráfica do nosso amigo Rodrigo. Refizemos as fotos no dia 02 de janeiro. Evandro desmarcou clientes no seu salão para poder pentear os modelos Fabíola e o Léo; nosso amigo Carlos conti de São Paulo, que veio para cá para descansar, veio para maquiar os dois. Depois de tudo feito, detalhe, o cenário foi o quintal da minha casa, ficamos horas discutindo quais fotos selecionaríamos para a campnha. Depois de escolhido, eu e Fredney, do setor de comunicação da prefeitura, ficamos horas até chegar na arte e texto ideais para a campanha. Montamos e mandamos para a confecção dos materiais, faixas, banners, cartazes e folhetos educativos. Depois de prontos alguns materiais, vem a distribuição para colocação na cidade e nos locais de mais acesso das pessoas, tudo isto permeado por palestras em diversos e diferentes locais. Valeu... o trabalho preventivo da secretaria da saúde, de serviços urbanos, da educação e outros setores da prefeitura, bem como o trabalho de voluntários como Lorenenses contra a Dengue, liderado pela Simone colombo, silmara, Andrea Marcondes, Maria Guiomar, o próprio Davi que também é educador de saúde da prefeitura entre outras pessoas importantes nesta luta, tem dado resultados positivos, pois em 2012 ainda não tivemos nenhum caso de dengue confirmado em Lorena. Essa luta titânica tem de se intensificar ainda mais, pois as chuvas não dão tréguas e os mosquitos estão por ai, só esperando para desencadear essa desgraça que poderá ser fatal para qualquer um de nós.
O carnaval está chegando, festas de rainhas, ensaios e tudo mais. Tenho pedido sempre para falarem dos 10 minutos contra a Dengue; até a arte do cartaz do carnaval vem com este tema, pois a dengue não pode acabar com a nossa festa.
Na entrevista na rádio clube de Guaratinguetá, onde entre outros assuntos eu e nosso amigo Beto Cabeleireiro falmos sobre as políticas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), explicamos muitas coisas e as diferenças entre o estilo de vida de cada um deles. Comentei que o maior preconceito recai sobre as travestis, pois eu mesmo nunca as vi trabalhando em lojas, em empresas, etc...É o grupo mais  discriminado e excluídos socialmente. Esta fala teve uma repercussão imediata.
Fui procurado por 2 travvestis que querem sair das ruas e da vida de programa. Conversando, percebi o grande talento de ambas: São cabeleireiras também e me disseram que mesmo em salões de beleza não conseguem emprego. Questionei sobre o porquê que elas não montavam o seu próprio salão, foi quando percebi que se entreolharam e veio o sussurro: "É mesmo". Nunca perceberam que poderiam ser empreendedoras e tocar o seu próprio negócio. Logo em seguida veio a fala delas: "Será que as pessoas vão se arrumar com 2 travecas?" Falei que se elas próprias tem preconceito e se discrinam, como querem ganhar o respeito e admiração da sociedade? Nesse momento percebi olhos marejados e discretas lágrimas escorrendo nas faces. Deram-me um abraço, me agradeceram e perguntaram: "Você frequentariam o nosso salão?"  Respondi brincando que desde que deixassem a minha franja bem lisinha e repicassem as pontas, eu iria com certeza... Muitos risos, sairam convictas que poderiam ter outra vida e, certamente, a pessoa mais feliz naquele dia fui eu.
E os trabalhos continuam intensos, agora vamos lutar por mais segurança e para a efetivação da operação delegada em Lorena,  aguardem!!!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

(124) REFLEXÃO POSITIVA PARA INICIAR BEM A SEMANA!


O pensamento tem poder infinito.

Ele mexe com o destino, acompanha a sua vontade.

Ao esperar o melhor, você cria uma expectativa positiva que detona o processo de vitória.

Ser otimista é ser perseverante, é ter uma fé inabalável e uma certeza sem limites de que tudo vai dar certo.

Ao nascer o sentimento de entusiasmo, o universo aplaude tal iniciativa e conspira a seu favor, colocando-o a serviço da humanidade.

Você é quem escreve a história de sua vida - ao optar pelas atitudes construtivas - você cresce como ser humano e filho dileto de DEUS.

Positivo atrai positivo.

Alegria chama alegria.

Ao exalar esse estado otimista, nossa consciência desperta energias vitais que vão trbalhar na direção de suas metas.

Seja incansavelmente otimista. Faz bem para o corpo, para a mente e para a alma.

É humano e natural viver aflições, só não é inteligente conviver com elas por muito tempo.

Seja mais paciente consigo mesmo, saiba entender suas limitações.

Sem esforço não existe vitória.

Ao escolher com sabedoria viver sua vida com otimismo, seu coração sorri, seus olhos brilham e a humanidade agradece por você existir.



Pablo Neruda

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

(123) NOTÍCIAS DA CÂMARA MUNICIPAL DE LORENA

Com 8 votos a favor e 1 contra (o Presidente da Câmara não vota), foram aprovados, em sessão extraordinária, no último dia 11 de janeiro, o projeto que autoriza a prefeitura a comprar a área para posterior doação para a construção do shopping La Vida, às margens da rodovia Presidente Dutra,  a prorrogação da anistia para o pagamento de tributos como IPTU, ISS, ISSQN até o dia 01/03, sem juros e/ou correção monetária; a prorrogação também da data do pagamento dos tributos do dia 15 para dia 20 de cada mês e também os vetos do executivo às emendas no orçamento do município para 2012. A sessão marcou também a volta da Vereadora Dr Lorane Bustamante que também é a 1ª Dama da cidade.
Particularmente me orgulho de poder participar deste momento histórico da nossa cidade, votando favoravelmente aos projetos para o desenvolvimento do município.
Em breve teremos as discussões com a projeto das câmaras temáticas, onde o espaço será para a população levar suas idéias e sugestões para que consigamos, desta forma, ordenar nosso crescimento com desenvolvimento sustentável. Participe você também dos trabalhos da Câmara Municipal de Lorena!

(122) SEXTA-FEIRA 13


A crença de que o dia 13, quando cai em uma sexta-feira, é dia de azar aumentou ainda mais com o cinema americano que imortalizou esta data com uma seqüência de filmes de terror protagonizada por Jason Voorhees, um serial killer que ataca nessa mesma data.
É a mais popular superstição entre os cristãos devido ao fato de Jesus Cristo ter sido crucificado em uma sexta-feira e, na sua última ceia, haver 13 pessoas à mesa: ele e os 12 apóstolos.
Reforçando essa mesma crendice, outra história de origem nórdica fala sobre um grande banquete onde o deus Odin realizou a reunião de outras doze importantes divindades. Ofendido por não ter sido convidado para o evento, Loki, o deus da discórdia e do fogo, foi à reunião e promoveu uma enorme confusão que resultou na morte de Balder, uma das mais belas divindades conhecidas. Com isso, criou-se o mito de que um encontro com treze pessoas sempre termina mal.
Segundo outra lenda, a deusa do amor e da beleza era Friga (que deu origem à palavra friadagr = sexta-feira). Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, a lenda transformou Friga em bruxa. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o demônio. Os 13 ficavam rogando pragas aos humanos.
Outra explicação sobre essa data remonta à consolidação do poder monárquico na França, especificamente quando o rei Felipe IV sentia-se ameaçado pelo poder e influência exercidos pela Igreja dentro de seu país. Para contornar a situação, tentou se filiar à prestigiada ordem religiosa dos Cavaleiros Templários, que, por sua vez, recusou a entrada do monarca na corporação. Enfurecido, segundo relatos, teria ordenado a perseguição dos templários na sexta-feira, 13 de outubro de 1307.
Na China, não raro os dísticos místicos dos templos são encabeçados pelo número 13. Também os mexicanos primitivos consideravam o número 13 como algo santo; adoravam, por exemplo, 13 cabras sagradas. Reportando-nos agora à civilização cristã, lembramos que nos Estados Unidos o número 13 goza de estima, pois 13 eram os Estados que inicialmente constituíam a Federação norte-americana. Além disso, o lema latino da Federação, "E pluribus unum" (de muitos se faz um só), consta de 13 letras; a águia norte-americana está revestida de 13 penas em cada asa.
Na Espanha e na Grécia, o número também é visto como um mau agouro, mas o dia da semana que eles consideram ruim é a terça-feira. Para eles, terça é o dia da semana dedica a Marte, deus romano da guerra, e ao sangue e violência que deram a ele o nome de planeta vermelho.
Apesar de tantos infortúnios associados a essa data, muitos a interpretam com um significado completamente oposto ao que foi aqui explicado. De acordo com os princípios da numerologia, o treze – por meio da somatória de seus dígitos – é um numeral próximo ao quatro, compreendido como um forte indício de boa sorte. Além disso, indianos, estadunidenses e mexicanos associam o número treze à felicidade e ao futuro próspero.
Hoje é a temida Sexta-feira 13, considerado um dia de azar no Brasil. Sorte ou azar, certamente é um dia lindo e divinal. se será bom ou ruim, a escolha é só sua! Boa sexta-feira 13 para você!

Fontes da pesquisa:

http://www.noticias.universia.com.br/
www.brasilescola.com/curiosidades/sextafeira-13.htm




quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

(121) Campanha contra a Dengue- Lorena 2012

Agradeço aos meu amigos que graciosamente trabalharam para a confecção deste trabalho para a Campanha contra a Dengue em lorena neste ano de 2012: São eles; Evandro Cabeleireiro, Carlos Conti maquiador, rodolfo Rodrigues fotógrafo, Léo andrade e Fabíola Nascimento os modelos que cederam suas imagens para essa campanha. Agradeço também ao Fredney Borges pela arte gráfica e a minha acessora Flávia moreira. A todos vocês os agradecimentos do Vereador Mafu e da população da nossa cidade, pessoas que, certamente se beneficiarão deste trabalho.




terça-feira, 27 de dezembro de 2011

(120) 1869

"Ditadura é um discurso constante te ensinando que seus sentimentos, seus pensamentos, e desejos não têm a menor importância, e que você é um ninguém e deve viver comandado por outras pessoas que desejam e pensam por você." (Stephen Vizinczey)


Em 1869, a sociedade do Vale do Paraíba estava em convulsão. A região com a maior economia da Província de São Paulo e do Brasil, devido às imensas fazendas de café, tinha nos escravos o seu maior patrimônio econômico. A abolição, para as mentes conservadoras dos barões do Café, era inadmissível, assim como os ideais republicanos. Já para os liberais, que defendiam a abolição e o fim da monarquia, essa visão era retrógrada e desumana. Influenciados pelos pensamentos iluministas de Rosseau e pelos ideais da Revolução Francesa de liberdade, igualdade e fraternidade, eram comuns as reuniões nas tabernas e botequins da Lorena e das cidades do Vale Imperial. Essa nova filosofia foi decisiva nas eleições (conhecidas por eleições de paróquia) do ano anterior, onde os liberais saíram vencedores.

O Imperador D. Pedro II havia nomeado o Barão de Taunay como Presidente da Província de São Paulo e este nomeou, o Capitão José Vicente de Azevedo, a despeito de 10 processos que tinha contra si em juízo, para ser delegado de polícia, inspetor de instrução pública, comandante superior interino e inspetor de todas as estradas de Lorena e o maior cabo eleitoral dos conservadores do norte de São Paulo.

A derrota dos conservadores e o avanço das idéias liberais antiescravistas e republicanas iravam os fazendeiros conservadores e a violência também avançou como registrado no requerimento impetrado pelo deputado Oliveira Braga na sessão de 12 de maio de 1869, na Assembléia Legislativa Provincial de São Paulo. Ele sobe à tribuna e discorre ao Presidente Carrão e demais deputados como segue:

“Sr. Presidente; o Brasil inteiro tem neste momento os olhos fixos sobre um ponto da Província de São Paulo onde se passam cenas de verdadeiro canibalismo, cenas tais que poderiam por si só caracterizar o período desastroso que atravessamos, e levar ao estrangeiro uma bem triste idéia da nossa civilização, a não ser que se erguessem vozes indignadas para contra elas protestar em nome da moralidade do país. Refiro-me, Sr. Presidente, à infeliz cidade de Lorena, que voltada ao extermínio pelos agentes da ditadura, expia em horrores de todo o gênero o denodo com que soube em todas as épocas sustentar a vitoriosa bandeira da liberdade e lealdade (...) Propondo-me a esboçar diante desta Assembléia o quadro negro de um crime que figura de principal protagonista a primeira autoridade da província; permita-me V. Ex. que me afastando dos meus estilos parlamentares, entre em consideração de outra ordem, que reputo causas sinistras do estado melindroso daquela localidade, e que servirão de ponto de partida aos exames dos fatos de verdadeiro escândalo, que me forçam a vir à tribuna (...).

(...) Estou convencido, Sr. Presidente, que o direito supremo de indicar a polícia que deve dirigir o governo da nação (...) é uma disposição usurpada das leis liberticidas, que entregando nas mãos dos governos improvisados a polícia e a guarda nacional, armou-os com o poder de sufocar o livre pronunciamento das urnas e escrever com a ponta das baionetas o nome dos seus próprios representantes (...)

(...) não podia admirar-me a súbita ascensão do partido conservador, embora repudiado nas urnas; o que, porém, contristou-me, Sr. presidente, foi ver em pleno Século XIX, em um país civilizado, e por um ministério presidido pelo Sr. Visconde de Itaboraí, distribuir por cada uma das províncias do Império por nomes que simbolizavam uma política de extermínio a que foram em cada uma delas pejar as prisões de cidadãos inofensivos, encorrentar inocentes, levantar crimes, violar o santuário da honra das famílias, e, o que é ainda mais, Sr. Presidente, foi ver com olhos da indiferença o próprio assassinato cometido impunemente por urna policia desenfreada...”


Em seu longo discurso, o Deputado Oliveira Braga, sempre muito apoiado pelos colegas, os Deputados Paula Souza, Prudente de Moraes, Tito, entre outros, discorrera sobre a chacina promovida pelo então chefe da polícia de Lorena, o conservador Capitão José Vicente de Azevedo.

Oliveira Braga discorre sobre a personalidade violenta do Capitão José Vicente de Azevedo e, atribui as cenas de sangue, jamais vista na cidade, no dia 19 de fevereiro de 1869, ao Presidente e ao Chefe da Polícia da Província, por investi-lo de cargos de tanto poder.

Segundo o Deputado, a vitória dos liberais nas eleições paroquianas do ano anterior disparou a ira do capitão que mandou assassinar o fazendeiro liberal Junqueira e causou o suicídio, por diversas ofensas a moral, do também fazendeiro e liberal Cardoso.

Mais de quarenta famílias de bem da cidade se mudaram para as cidades vizinhas, temendo a ira e o desejo de vingança desenfreados do Capitão conservador.

Tanta barbárie só poderia resultar em mais barbárie. Assim, o capitão José Vicente de Azevedo foi vítima de uma emboscada que acabou com a sua morte no mesmo ano. Diante desse cenário, o Presidente Provincial mandou diligências para investigar a morte do correligionário, tentando subornar testemunhas para condenar outros liberais.

Esse fato mostra o desatino social vivido nos anos pré abolição e república na nossa cidade e região. A decadência das elites e oligarquias conservadoras ruralistas não admitia perder a hegemonia social e econômica.

O café entra em decadência na cidade e região a partir dos anos de 1870 e, como a história mostra, 18 anos depois, a libertação dos escravos aconteceu e, no ano seguinte, veio a República.

Esse fato expõe que nem tudo era tão lindo nos tempos dos opulentos Casarões da terra das palmeiras imperiais do Brasil Imperial. E para contrapor a frase de Louis Philippe de Ségur que diz que "A história é uma apelação dos erros contemporâneos aos juízos da posteridade”, fico com a do sábio mestre Mahatma Gandhi: “Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova."


Bibliografia: Annaes da Assembléia Legislativa Provincial de São Paulo 1869 – p.11-27



segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

(119)A representação social do enfermeiro acerca da atenção integral aos usuários de álcool e outras drogas em um município paulista no Brasil.

Esta matéria foi públicada no site oficial da Prefeitura Municipal de Lorena

 

Com o título acima, foi apresentado o trabalho do Enfermeiro da secretaria municipal de saúde de Lorena e Vereador Valdemir Vieira- Mafu, na XI conferência Iberoamericana de Educação em enfermagem da ALADEFE e o III Encontro Latinoamerica-Europa, realizado entre os dias 18 e 24 de setembro em Coimbra-Portugal.

O trabalho, um resumo da dissertação de mestrado apresentado no ano passado na Escola de Enfermagem da USP, em São Paulo, pelo Enfermeiro e Vereador Mafu, teve como cenário da pesquisa a cidade de Lorena e serviu para embasamento para outras pesquisas, principalmente no que se refere ao preparo dos profissionais de saúde para o atendimento aos usuários de álcool e outras drogas. Apresentado em Portugal no dia 23 de setembro pela Pós-doutoranda Maria Odete Pereira, a pesquisa realizada em nossa cidade, durante o ano de 2009, nos 10 PSF de Lorena, está auxiliando diversas outras pesquisas, não só no Brasil, mas agora, podemos dizer, no mundo todo.

Resumindo, a pesquisa evidencia que, com a implantação do programa de saúde da família em 1994, o ministério da saúde propôs reorganizar a saúde a partir da atenção básica, substituindo o modelo tradicional de pouca eficiência, priorizando ações de vigilância, prevenção, promoção e recuperação da saúde, de forma integral e contínua, dentro de uma área de abrangência. A pesquisa utilizou o método das representações sociais e foi dividido em 3 categorias de análise. Com a implantação da nova política de saúde mental, contemplando também os usuários de álcool e outras drogas no SUS, a partir de 2002, diversas dificuldades foram e estão sendo encontradas, como as que a pesquisa revelou, entre elas, destaca-se:

1º- Na análise da categoria processo de trabalho, emergiram as temáticas: produção dos cuidados de enfermagem; gerência e assistência, sendo que na última, foram elencadas as rotinas das unidades, visitas domiciliares sem menção ao trabalho com pacientes de álcool e outras drogas.

2º- Na categoria processo saúde-doença, foram citados vários conceitos que foram se alterando com a evolução e conhecimentos das sociedades nos diferentes momentos históricos, surgindo diversas interpretações acerca do processo saúde-doença, na busca de determinantes causais para o adoecimento. A concepção mágico-religiosa da antiguidade, atribuindo a dependência ao castigo ou ofensa ao divino faz parte do repertório, ainda hoje, de alguns profissionais, conforme observado na pesquisa.

3º- Na categoria processo de inclusão e exclusão social, verificou-se que a representação social dos enfermeiros em relação as suas práticas assistenciais aos usuários de álcool e outras drogas é a de que embora exista uma política de saúde regulamentada, essa está muito aquém de proporcionar uma realidade inclusiva para todos os usuários que necessitam ou buscam serviços especializados, como os centros de atenção psicossocial em álcool e outras drogas ou leitos para desintoxicação em hospital geral, determinando a exclusão social dessas pessoas.

A pesquisa revelou também que a ausência assistencial na rotina dos profissionais, que relataram as atividades cotidianas separando-as em ações gerenciais, assistenciais e educativas são seguidas de acordo com protocolos do ministério da saúde, vacinas, diabetes, hipertensão e pré natal, etc. Como não há protocolo ministerial para álcool e outras drogas, existe o entendimento que não precisa ou não se pode trabalhar com esse público em questão. Observou a inter-relação entre os referencias teóricos relacionados ao processo saúde-doença, concluindo que, a formação teórico-prática do enfermeiro é deficiente, e que é necessária a capacitação profissional para atuar com esse público em questão. Além disso, o preconceito observado entre os profissionais do estudo, para com os usuários de álcool e outras drogas, reflete o olhar que a sociedade ainda tem para com eles: de marginais e não de pessoas adoecidas. Essa concepção está arraigada nos estratos sociais, incluindo, os serviços de saúde.

“Eu que sou formado há mais de 13 anos também sinto a mesma dificuldade encontrada nos resultados deste trabalho que relataram os meus colegas enfermeiros. Precisamos repensar nossa atuação profissional e entender as necessidades dessas pessoas. Infelizmente, podemos observar que o descaso com essa clientela em questão é evidente, visto que o SUS só começou a trabalhar com eles e a efetivar uma política pública a partir de 2002. O resultado da pesquisa mostra que precisamos aumentar o número de horas de aulas práticas e teóricas na saúde mental e na temática de álcool e drogas urgentemente, nas faculdades de ciências da saúde e efetivar a política já posta pelo ministério da saúde para os usuários de álcool e outras drogas, como leitos para desintoxicação em hospital geral como as nossas Santas Casas e, posteriormente, acompanhamento nos Caps Ad (Centro de atenção psicossocial para álcool e drogas), ambos os serviços inexistentes, não apenas em Lorena, como em diversas cidades da região. Para os profissionais que já estão atuando na rede pública, precisamos realizar cursos de capacitação para que, assim, possamos dar os primeiros atendimentos lá no bairro, onde mora o usuário, ou seja, nas unidades básicas e PSFs. Só assim estaremos, de fato, combatendo a principal epidemia que atinge a nossa sociedade na atualidade, a epidemia silenciosa da dependência de álcool e outras drogas.

Para ter acesso a pesquisa na íntegra, disponível na biblioteca digital da Universidade de São Paulo, acesse o link http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7141/tde-11082010-095616/pt-br.php